Milongas em Buenos Aires – primeiros passos

Segue abaixo link da coluna publicada hoje no blog do jornalista Ricardo Noblat e também a versão em espanhol.

Más abajo el link de la nota publicada hoy en el blog del periodista Ricardo Noblat y también la versión en español.

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Foto: Gisele Teixeira

 

Há quem chegue a Buenos Aires com um guia de compras embaixo do braço, ou de restaurantes, ou de livrarias. Eu cheguei com meu guia de milongas – um livro que reúne as 60 melhores pistas para dançar tango, de acordo com horário, dia da semana, público, e até tipo de piso.

A palavra milonga, além de denominar a música das duas margens do Rio da Prata (Argentina e Uruguai), é também o espaço onde os tangueiros se reúnem para dançar. É o baile! Há milongas de todos os tipos – desde as realizadas em clubes tradicionais, com regras rígidas, até as milongas gay.

Uma coisa, no entanto, é comum entre todas – a magia. Ao ultrapassar suas portas, se descortina um mundo maravilhoso. Entra-se em outra realidade. Tanto é que não há uma milonga que tenha porta direto na rua. Sempre há uma recepção, um lobby, um corredor. É imprescindível uma transição entre o mundo cotidiano e o mundo do baile.

Normalmente, isso acontece com a troca dos sapatos. Retirar os sapatos “da rua” ao entrar num lugar sagrado contém um valor simbólico muito forte. De forma que todo o dançarino (a) que se preze tem seu sapato de baile. Além disso, as mulheres sabem a diferença entre uma rasterinha e uma sandália dourada salto oito centímetros.

As milongas são cheias de códigos assim. Normas que é bom conhecer, nem que seja para desrespeitá-las. Como, por exemplo, o “cabeceio”. Nenhum homem vai atravessar a pista para convidar uma mulher para dançar. Tudo funciona na base do olhar e, se há acordo, se fecha negócio com um leve balanço de cabeça. A parte boa é que se a gente não quer dançar, é só fazer uma cara de distraída.

Aceito o convite, os primeiros compassos servem para um conversa rápida, mas durante o baile não se fala – é preciso escutar a música. O homem conduz, a mulher segue. Ou melhor, se entrega. É assim, não adianta. Se os dois quiserem improvisar ao mesmo tempo não vai dar certo.

Os casais dançam em sentido anti-horário. De preferência, os iniciantes ficam no centro do salão e os mais experientes bailam nas bordas (área de maior exposição visual). Ninguém se ultrapassa. Não é uma corrida. Como as pistas são cheias, os movimentos devem ser módicos, com poucos voleios ou ganchos altos. No salão, saltos-agulha podem ser bem perigosos.

É de bom tom dançar uma “tanda” inteira – isto é, um grupo de três ou quatro tangos, e não menos que isso. Ao final (sinalizado por música de outro ritmo), os pares ficam liberados para descansar, conversar, ou simplesmente procurar outros parceiros. E aí, começa tudo novamente. Afinal, o melhor do tango é experimentar uma nova paixão a cada três minutos. Ou encontrar o abraço perfeito!

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VERSIÓN EN ESPAÑOL

Algunos vienen a Buenos Aires con su guía de compras bajo el brazo, o de restaurantes, o de librerías. Yo, en cambio, me vine con mi guía de milongas – un libro que reúne las 60 mejores milongas para bailar tango, clasificadas según horarios , días de la semana, clase de público, e incluso el tipo de pista.

La palabra milonga describe, además de la música que se baila en las dos orillas del Rio de la Plata (Argentina y Uruguay), al espacio y la ocasión donde los amantes del tango se reúnen a bailar. Es el baile! Hay todo tipo de milongas, desde la bien tradicionales, con rígidas reglas de conducta hasta las milongas gays.

Una cosa, sin embargo, es común a todas – la magia. Al atravesar sus puertas, se descorre un mundo maravilloso. Se entra en otra realidad. Tanto es así que no hay milongas que den directamente a la calle, siempre hay una recepción, un vestíbulo, un corredor. Es esencial para una transición entre el mundo cotidiano y el mundo de la danza, que se completa, eso sí, con el intercambio de zapatos.

Cada bailarín (a) que se precie tiene sus zapatos de  danza. Y no es por nada. Quitarse los zapatos “de calle” para entrar en un lugar sagrado contiene un valor simbólico muy fuerte. Por lo tanto, tener un par de zapatos de danza y – mas aún- cambiárselo  a la vista de todos es una de las primeras normas para los bailarines de tango.

Pero hay otros códigos tácitos. Normas que es bueno conocer, aunque sea para no respetar…

Una de ellas es el “cabeceo”. Ningún hombre cruza la pista para invitar a una mujer a bailar. Todo funciona con la mirada, y si hay acuerdo, se cierra negocio con un leve balanceo de la cabeza. La buena noticia es que si no quieres bailar, basta solo con hacerte la distraída. Aceptada la invitación, ni pensar en pedir el nombre: durante el baile no se habla, sólo se escucha la música.  El hombre lleva, la mujer sigue. O mejor, se entrega. Es inútil reclamar, es así. Si los dos quisieran improvisar al mismo tiempo no funcionaría.

Las parejas bailan en dirección contraria a las agujas del reloj. Los principiantes en el centro del salón y los más experimentados en el perímetro (área de mayor visualización). Nadie sobrepasa a otro. No es una carrera. Como las pistas suelen estar llenas de bailarines, el movimiento debe ser pequeño, medido, sin ganchos o voleas altas, que son mas bien para escenario. En la milonga los tacos altos, tacos aguja, pueden ser bien peligrosos.
Es de buen tono danzar toda una “tanda” – es decir, un grupo de tres o cuatro tangos, no menos que eso, hasta la cortina, música diferente que marca la separación entre tandas.

Luego de eso, las parejas se separan, son libres para descansar, charlar, ir al baño o buscar otra pareja. Al final, lo mejor del tango es experimentar una nueva pasión cada tres minutos. O encontrar el abrazo perfecto!

2 Comments

  • Claudio disse:

    Minha cara,
    Tudo bem este relato, mas faltou o principal, os endereços das principais (ou melhores) milongas!!!!!
    Assim, você só nos dá água na boca.
    Em tempo, Buenos Aires é lindíssimo e charmoso. É uma grande sorte poder morar aí durante algum tempo. Parabéns e muito boa sorte!
    Um grande abraço,
    Claudio

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