Subte portenho, conheça a Buenos Aires underground!

O sistema de transporte subterrâneo da capital argentina, o “subte”, foi inaugurado em 1913 e é o mais antigo da América Latina. Saiba mais sobre ele neste post!

 

É bem verdade que às vezes o metrô está muito cheio e descuidado (viajam pelo subte 1,5 milhão de pessoas por dia), mas vale a pena parar um pouco em suas estações para observar seus murais e desenhos, aulas de história, geografia e cultura argentina.

subte portenho linha 1

A linha A de antigamente

 

Linha A:  É a mais antiga e teve os vagóes originais desativados há pouco tempo.

Suas 14 estações originais do subte (inauguradas entre 1913 e 1914) possuem as paredes cobertas por azulejos brancos e decoradas com frisos de diferentes cores, instalados para facilitar seu reconhecimento aos muitos passageiros analfabetos na época de sua construção (o mesmo sistema do contemporâneo Metrô de Paris).

Junto com as estações originais das linhas C, D e E, foram declaradas Monumento Histórico Nacional em 1997. Apesar de quase não terem murais, as estações desta linha têm um enorme valor sentimental por sua antiguidade. A estacão Peru é a que está melhor conservada.

Os únicos murais ficam no túnel combinatório entre as estações Peru e Avenida de Mayo da linha C. São três pecas realizadas em 2000 por Hermenegildo Sábat, de temática tangueira, e um de Horacio Altuna, instalado en 2002, além de quadrinhos de Mafalda.

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Piazzolla por Sábat

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Orquesta Típica. Mural de cerámicos. Ubicación : Anden norte. Estación Carlos Gardel, Línea B

 

Linha B: As estações originais do subte não tinham murais, que começaram aparecer a partir de 1991, pelas mãos de diferentes artistas plásticos.

Na estação Florida há um mural de Mariano Imposti Indart, de 1998, sobre os quadrinhos argentinos Patoruzú. E na Uruguai existem outros três murais com mesma temática: um de Francisco SolanoLópez e AlbertoBreccia, de 1991, que celebra a obra El Eternauta e outro de Roberto Fontanarrosa, de 1998, sobre o personagem Inodoro Pereyra. O terceiro, de 1991, pertence ao humorista Cristóbal Reynoso, Crist.

A estação Callao (sul) tem dois murais de 1991, sem titulo. Um de Daniel Kaplan e outro de Héctor Meana. Pasteur não tem mural, assim como as demais estações, até chegar a Carlos Gardel, que tem cinco. No vestíbulo há uma obra de Carlos Páez Vilaró, de temática gardeliana, e um filete realizado por León Untroib. Completa a decoração um mural infantil instalado em 1984.

“Las Mascaras”, mural del pintor Fernando Allievi. Estación Retiro, Línea C.

Em Medrano também há um mural infantil de 1984 e outro sem título realizado em 1991 por Ricardo Roux, além de uma obra de Juan PabloRenzi e Arturo Holzer, intitulada  “Durante la criminal guerra del Golfo”.

Já Ángel Gallardo possui dois murais, de Margarita Paksa e Marcia Schvartz, e Dorrego tem quatro, todos de 1991: “A 3 niñas argentinas inmoladas, Jimena Hernández, Nair Mostafá y María Soledad Morales”, de Mildred Burton, além de murais de Scafidi, Cáceres (Canto de amor para América Latina) e Cambré (El duende está en cada movimiento de nuestras vidas).

A estação terminal, Los Incas, está decorada com motivos pré-colombianos e 16 murais de cerâmica com motivos que evocam as culturas indígenas americanas, realizados por Damián Dillon e María Eggerslan.

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“Castilla”, detalle de “Paisajes de España”. Estación Moreno, Línea C.

Linha C: Esta  linha do subte é conhecida como a linha dos espanhóis porque possui em suas estações (Lavalle, Diagonal Norte, Avenida de Mayo, Moreno, Independência e San Juan) murais alusivos a diferentes paisagens da Espanha. Todos são da década de 1930. Retiro e Constitución, assim como General San Martín —inaugurada depois do resto da linha— estão decoradas com  murais mais modernos.

Linha D: Esta linha conta a história da Argentina, com belos murais. Entre eles, uma curiosidade mais recente: na estação Juramento, no bairro de Belgrano, se encontra um mural do barco Crucero ARA, General Belgrano, torpedeado pelo submarino britânico HMS Conqueror, e afundado durante a Guerra das Malvinas. Também há uma placa com o nome de todos os tripulantes.

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Detalle de “Jujuy : Los Gauchos norteños “

Linha E: Na estação de Belgrano se pode ver murais com a bandeira da Argentina. Em Entre Rios, o tema é a cidade de Buenos Aires e, em Pichincha, uma paisagem com lago e montanhas. Segue Jujuy ( campo e escudo da província de mesmo nome), Urquiza (campo, igreja e crianças) e por fim Boedo (arte moderna da época colonial).

Linha H: Inaugurada em 2007, é a minha preferida porque é totalmente tangueira. Cada estação faz homenagem a uma figura do 2×4.

Há mais informações sobre o Subte em Metrovias.

Nova estacão de Corrientes – Mural Fileteado

2 Comments

  • Gisele, adorei o post, parabéns!!

    Sempre que viajo ando bastante pelos pontos turísticos, mas sempre tento o máximo de contato possível com os moradores do lugar, para captar a alma, o jeito da cidade. Além disso, sempre gostei de metrô, já levantei cedo da cama no feriado e com frio para conhecer estações novas, fotografando chegada de trens novos, etc.

    Por isso, quando fui a Buenos Aires, não pude deixar de conhecer o subte (ainda mais porque morarei aí)! Só não conheci as linhas C e E. O subte A é fantástico, eu adoro os trenzinhos de madeira. Lógico, acho que é necessário modernizar, imagino que eles devam ser muito quentes no verão, mas confesso que estou triste que eles saiam de circulação e eu só tenha andado durante 5 dias neles. A estação Carlos Gardel do subte B é linda, adoro os murais e aquela parte da cidade que respira tango e que tem o fileteado por todas as partes. O subte H tem murais impressionantes! Enfim, o subte portenho é uma aula de cultura e uma verdadeira exposição de obras de arte.

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