Imagens que comprovam os voôs da morte

Foto Clarin

A Argentina segue desvelando os horrores cometidos durante a ditadura militar.

A descoberta, esta semana, de restos humanos em fossas, e a publicação de fotos inéditas das vítimas dos chamados vôos da morte, agregam novos elementos ao cenário do período de repressão no qual os militares não somente cometeram delitos contra a humanidade como também trataram de escondê-los.

Em um edifício militar da província de Tucumán foram localizados restos de pelo menos 15 pessoas enterradas em uma fossa comum. Vários deles estavam com as mãos atadas e em alguns de detectou a “presença de projéteis de armas de fogo”. Na fossa, que funcionou como lugar de execução, a presença de pneus e de pessoas carbonizadas mostra que eles também eram queimados ali.

Mapa de correntes marítimas

Paralelamente, a Comissão Interamericana de Direitos  Humanos divulgou ontem, pela primeira vez, 130 imagens inéditas de vítimas dos denominados “voos da morte”, denominação dos vôos realizados durante a ditadura militar (1976-83) sobre o rio da Prata e o mar para jogar nas águas os prisioneiros, ainda vivos, desde os aviões. Os corpos ficavam à deriva e, arrastados por correntes marítimas, encalhavam no Uruguai. As fotos foram tomadas pela polícia  marítima de lá, na época.

As pastas contem imagens impressionantes e estão organizadas, aparentemente, por pessoa, com mais de uma foto em cada caso. Além do estado dos corpos, mostram algumas características dos processos a que foram submetidas. As fotografias mostram pessoas nuas, a maioria com as mãos e os pés amarrados com cordas. Isso era comum para evitar distúrbios dentro dos aviões, além de impedir que pudessem nadar em caso de sobrevivência. Os corpos também exibem marcas de torturas, como fraturas ósseas múltiplas no tórax e membros, além de crânios esfacelados. Os cadáveres exibem marcas de choques elétricos.

O material também contém mapas indicando onde os corpos foram encontrados. A maior parte dos cadáveres apareceram nas praias entre as cidades de Colônia (sobre o rio da Prata) e La Paloma (no oceano Atlântico).

Estimativa indicam que a ditadura argentina assassinou 30 mil civis. Destes, 5 mil teriam passado pela ESMA. Menos de 200 sobreviveram.

Fragmento de relatório detalhado

 

As matérias completas sobre o temas estão abaixo, em diferentes jornais:

PAGINA 12

LA NACIÓN

CLARIN

 

 

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