Cartas de Baires: O pequeno príncipe e o essencial, já não tão invisível para os olhos

Foto Juan Travnik

O aniversário da Guerra das Malvinas, que completa 30 anos em 2012, é “o” tema do ano na Argentina. Começou com uma piada e com duas boas notícias.

As risadas foram causadas pelo primeiro ministro britânico David Cameron, que chamou a Argentina de “potência colonialista”. Vindo de quem vem, é surreal. Dias depois, no mais moderno navio da Royal Navy, desembarca nas ilhas o príncipe William, herdeiro do trono britânico.

As boas notícias são a atitude negociadora argentina e a busca de aliados internacionais para forçar o diálogo sobre a soberania das Malvinas.E também a autorização, pela presidente Cristina Kirchner, da abertura do Informe Rattenbach, documento que investigou a responsabilidade das autoridades militares na guerra entre Argentina e Grã Bretanha.

O texto leva o sobrenome do general que liderou os trabalhos, a pedido do então presidente de facto Reynaldo Bignone. Começou a ser elaborado em dezembro de 1982 e, por suas conclusões, foi arquivado sob o selo de “Segredo de Estado”, o que o protegeria por 50 anos. A abertura do documento, agora, é histórica.

Fragmentos do informe, que já circulam há tempos pela internet mas não tinham o reconhecimento oficial, deixam claro o que todo mundo já sabe – que o país não estava preparado para uma guerra, que este não era o método para recuperar as ilhas, e que a improvisação foi total.

“Medidas irreflexivas e precipitadas”, “aventura militar”, “falha de coordenação entre comandos”, “falta de informação sobre o inimigo”. E por aí vai.

Os soldados argentinos não tinham nem a instrução básica de tiro e combate, não havia estoque de comida (muitos morreram por desnutrição), mais de 60% das bombas argentinas não explodiam porque não tinham o trem de fogo preparado para alvos navais.

Segundo dados oficiais argentinos, 649 soldados morreram em combate e 1.068 foram feridos. A Inglaterra reconhece 255 falecidos entre suas tropas e cerca de 700 feridos.

Para os interessados no assunto, deixo a dica de dois livros. Fantasmas de Malvinas Cruces: idas y vueltas de Malvinas, de FedericoLorenz, este último escrito em parceria com María Laura Guembe.

Eles compilaram 80 de quase 3 mil fotos inéditas da guerra que encontraram após investigação que contou com o apoio de ex-combatentes, familiares das vítimas e militares argentinos. As imagens são impressionantes.

Para muitos jovens, além de estar em guerra, era a primeira vez que viam o mar, que voavam de avião, que passavam frio. O que puderam, registraram.

Lorenz diz que o melhor lugar para entender o conflito é o Museu Imperial da Guerra, em Londres. Muitas das cartas e fotos enviadas pelos oficiais argentinos, pelo menos as que não foram picoteadas pelos “isleños”, foram roubadas pelos ingleses. Histórica tradição britânica.

Texto no blog do Noblat. 

Algumas fotos estao no vídeo abaixo. Não tem áudio.

8 Comments

  • martha disse:

    EL PRIMER MINISTRO CAMERON, TIENE SENTIDO DEL HUMOR. COMO BUEN INGLÉS. QUISO HACER REÍR Y LO LOGRÓ.QUÉ CARADURA,DIOS MÍO! QUÉ CARA DE PIEDRA! SI LA ARGENTINA ES COLONIALISTA, ELLOS QUE SON??
    DA TRISTEZA VER EL CEMENTERIO ARGENTINO…..
    CUANDO SE PUBLICÓ EL INFORME RATTENBACH LOS MILITARES
    LE HICIERON UN JUICIO A LOS PERIODISTAS.
    DURANTE LA GUERRA, LA GENTE ENVIABA ALIMENTOS PARA LOS SOLDADOS. NO LES LLEGÓ.A ELLOS. LO CONSUMÍAN LOS OFICIALES
    DEL EJÉRCITO ARGENTINO.
    CUANDO VOLVIERON DEL SUR, EL EJÉRCITO PROHIBIÓ QUE LA GENTE SE ACERCARA A LOS SOLDADOS. NO QUERÍAN QUE CONTARAN NADA.
    CRETINOS HASTA EL FINAL !!!!.

  • tuliobraganca disse:

    É um assunto tão polêmico que eu prefiro nem dar minha opinião pros argentinos em geral. Concordo totalmente com o que o porta voz britanico disse outro dia “The people of the Falkland Islands are British out of choice. They are free to determine their own future and there will be no negotiations with Argentina over sovereignty unless the islanders wish it.”

    • Edu disse:

      Los habitantes de las Malvinas son, y quieren ser, británicos. No son una tercera parte entre Argentina e Inglaterra.
      Los millones de Indios no tenían ese derecho, porque era población nativa y no trasplantada, de piel oscura, además…
      Hoy quedan sólo 16 colonias en el mundo. Una de ellas a 12000 km de Londres.
      La misma razón que llevó los mármoles del Partenon al British Museum, los millones de esclavos africanos a América, los colonos rubios de ojos celestes a las Malvinas: la fuerza del imperio.
      Probablemente nunca se vayan de ahí. La historia no es muy justa cuando hay petróleo de por medio.

  • Neviton disse:

    O programa Sem Fronteiras da Globonews exibiu no final de janeiro um painel do que foi a guerra, como os governos tratam isso atualmente e como é, e quem vive nas Malvinas, ou Falklands. Trouxe também argentinos e ingleses falando sobre o tema. Está disponível no site da Globonews.
    Já na Argentina, o canal a cabo C5N disse que esse assunto faz parte mais da agenda da presidente CFK e que pouco interesse desperta na população.Disse também que um pesquisa apontou que todos, po lá, as querem de volta. Evidentemente. Pessoalmente também gostaria que voltassem a argentinas (como quis em 1982, quando perdeu a guerra), mas acho difícil. Por enquanto.

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