Roberto Arlt: Aguafuertes cariocas

“Não levo guias nem mapas, apenas, como introdutor magnífico para o viver, dois ternos, um para tratar com pessoas decentes, outro esfarrapado e sujo, o melhor passaporte para poder me introduzir no mundo subterrâneo das cidades que têm bairros exóticos”.

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Boa pinta!

Voltei do Rio mas o Rio não sai de  mim!

O caderno ADN Cultura, do La Nación, traz hoje uma resenha sobre o livro Aguafuertes Cariocas, publicado pela Adriana Hidalgo.

A obra traz textos escritor por Roberto Arlt, conhecido pelos romances de vanguarda e por seus textos sobre as ruas da Buenos Aires moderna.

No ano de 1929 ele saiu pela América Latina escrevendo notas de viagem a pedido do jornal El Mundo. Ficou então dois meses no Rio de Janeiro, depois de uma passagem pelo Uruguai. O material foi publicado na época, mas nunca reunido em forma de livro.

Agora as 40 crônicas foram reunidas pelo investigador Gustavo Pacheco, responsável pelo setor cultural da embaixada brasileira em Buenos Aires. Há uma ótima matéria sobre o livro na Folha de São Paulo, AQUI. 

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Arlt é o João do Rio argentino

Os textos abordam diferentes aspectos da vida brasileira, desde o café e a delicadeza, até a falta de vida noturna e o excesso de trabalho.

Assim acontece ao leitor passar pela rua e ver coisas como essas: um menino lavando os pés em um dormitório. Uma senhora penteando-se frente a um espelho. Um negro descascando batatas. Um cego repassando um rosário em uma cadeira de palhinha. Um padre velho meditando em uma rede, deixando de lado seu breviário. Duas moças descosendo um vestido. Um homem com pouca roupa.

Então com 30 anos, Roberto Godofredo Christophersen Arlt (1900-1942) já se destacava como escritor e jornalista em sua Buenos Aires natal. Havia lançado um dos dois romances que lhe dariam projeção internacional, “Os Sete Loucos” (1929) –o outro seria “Os Lança-Chamas”, de 1931.

Arlt será homenageado em Buenos Aires com uma mostra dupla que organiza o Museu do Livro e da Língua da Biblioteca Nacional, chamada Arlt en dos. A inauguração é hoje, às 18h, em Las Heras, 2555.

Tem também uma boa matéria sobre o livro no Página 12. 

Aquí se labura

Nosotros, habitantes de la más hermosa ciudad de América (me refiero a Buenos Aires), creemos que los cariocas y, en general, los brasileños, son gente que se pasa con la panza al sol desde que “Febo asoma” hasta que se va a roncar. Y estamos equivocados de medio a medio. Aquí la gente labura y sin grupo. Se gana el marroco con el sudor de la frente y de las otras partes del cuerpo, que también sudan como la frente. Yugan, yugan infatigablemente y amarrocan lo que pueden. Sus vidas se rigen por un subterráneo principio de actividad, como diría un señor serio haciendo notas sobre el Brasil. Yo, a mi vez, digo que doblan la esquena todo el santo día y que de sábado inglés, ¡minga! Aquí no hay sábado inglés. Y allí se terminaron las fiestas. Trabajan, trabajan brutalmente, y no van al café sino breves minutos. Tan breves que, en cuanto se queda usted un rato de más, lo echan. Lo echan, no los mozos, sino el encargado de cobrar.

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