Mirador da Galería Güemes: para ver Buenos Aires em 360 graus

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Com uma vista de 360 graus de seu topo, a Galería Güemes reúne tudo o que a gente gosta de Buenos Aires: arquitetura, história, literatura e café.

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Vista divina-maravilhosa. Foto Gisele Teixeira

 Galería Güemes

As passagens foram alargadas para melhorar a visitação

Depois de muito tempo fechado para reformas, foi reaberto novamente ao público o “Mirador da Galerí Guemes”, na rua Florida, 165.

Foi a primeira restauração em 50 anos deste mirador que foi um dia o mais alto da cidade e oferece uma vista de 360 graus!

Na foto que abre o post estão identificados os pontos mais importantes que podem ser observados de lá de cima ! Em dias claros dizem que a vista alcança até costa do Uruguai!

A la pucha!

Visitei o lugar com o Edu quando ainda estava em obras obras, e qual a minha felicidade em saber que o espaço agora já faz parte do programa Buenos Aires desde as alturas – Miradores de Buenos Aires, que inclui outros prédios, como o Hotel Panamericano, o Edifício Comega e o Barolo.

Se a vista é linda, o prédio inteiro não fica atrás.

 Galería Güemes

Vista interna da cúpula. Divulgação

A Galería Güemes foi inaugurada em 15 de dezembro de 1915, obra do arquiteto italiano Francisco Terencio Gianotti, mesmo autor da Confitería del Molino (1916). O prédio é uma das obras primas da Art Noveau argentina e considerado o primeiro arranha-céu construído em Buenos Aires, com 14 pisos e 87 metros de altura.

Como as grandes obras do final do século XIX e princípios do XX, a Galería Güemes  foi concebida ao estilo dos grandes prédios europeus, um lugar de ponto de encontro onde, além das compras, sucediam acontecimentos sociais.

Era assim: no térreo ficavam as lojas e um pouco de gastronomia. Do primeiro ao sexto andar, os escritórios, e do sexto em diante os apartamentos mobiliados que se alugam por temporada.

Ao chegar no 14º da Galería Güemes, o visitante se deparava com uma confeitaria e uma visão da cidade de tirar o fôlego, reforçada pelos acordes de uma orquestra que ficava na parte interna. Quatro níveis mais acima ficava o mirador. Os portenhos subiam e, depositando 25 centavos, podiam utilizar os binoculares que permitiam ver até o litoral do Uruguai, do outro lado do Rio de la Plata.

Quando foi inaugurado o edifício contava ainda com um subsolo, com um teatro, um cabaré e um restaurante.

 

 Galería Güemes

Morador ilustre, que detestou Buenos Aires

Entre os moradores ilustres do lugar estão Saint-Exupéry (que detestou Buenos Aires, aliás) e que durante um tempo criou uma foca na banheira do prédio.

Quando foi embora, levou um amor argentino – Consuelo Suncín, que conheceu aqui – e um grande livro, “Vôo Noturno”.

A Galeria também foi imortalizada por Julio Cortázar no conto “El otro cielo”, onde imaginou unidas as Galerías Güemes e a parisina Vivienne, para que em ambas circulasse o mesmo ar, o ar da fantasia que respiram as duas cidades de sua vida.

Hacia el año veintiocho, el Pasaje Güemes era la caverna del tesoro en que deliciosamente se mezclaban la entre visión del pecado y las pasti-llas de menta, donde se voceaban las ediciones vespertinas con crímenes a toda página y ardían las luces de la sala del subsuelo donde pasaban inalcanzables películas realistas.” “Mi novia, Irma, encuentra inexplicable que me guste vagar de noche por el centro o por los barrios del Sur, y si supiera de mi predilección por el Pasaje Güemes no dejaría de escandalizarse.

7 Comments

  • lucila disse:

    Delícia de post, Gisele. Eu estive no mirador e curti muito as belas vistas. Tmb já participei do programa Buenos Aires desde las alturas e recomendo pra quem quiser ter um novo ângulo da cidade. Aliás, que história é essa de que o Exupery detestou B. Aires? Como assim? Besos!!

    • Gisele Teixeira disse:

      Oi Lucila, tenho um livro super lindo que se chama “La Buenos Aires Ajena”, com compilações de opiniões de estrangeiros sobre Buenos Aires, de 1536 até hoje. E no texto de Exupery ele diz HORRORES da cidade. Coisas como “não exista nada em Buenos Aires”, “é a cidade menos humana que já conheci”. Parece que ele se sentiu muito sozinho no tempo em que morou aqui. “He sufrido en vuestra ciudad como nunca”, escreveu. Mas no final conheceu a esposa aqui e a levou embora com ele..nem tão sozinho assim…Um beijo

  • Edson disse:

    Oi!
    Esse eu vou fazer com certeza, obrigado pela dica.
    Me fez pensar numa coisa. Onde será um bom lugar para apreciar o por do sol em BA? Creio que em Puerto M. e tal, mas digo assim, de um lugar alto, tendo uma visão grande da cidade… será que tem? A última visita nesse mirador é as 17h, então não dá né, porque o sol se põe tarde em BA…

  • alexandre disse:

    Que bom que encontrei este post. Vou agora em março e a Galeria Güemes me encantou desde que entrei pela primeira vez, totalmente por acaso, fugindo da chuva. Vou com certeza.
    Se Exupery não curtiu a cidade, Darwin, pelo menos, gostou mais do que de Santiago.

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