A trágica história de Felicitas Guerrero, que virou igreja em Barracas

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Além de ser uma edificação única em Buenos Aires, esta igreja é resultado de uma trágica história de amor, coisa bem portenha!

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Uma “perlita” em Barracas

Compartilho com vocês uma descoberta feita bem por acaso: a igreja Santa Felicitas, em Barracas. Quem nos contou toda a história do lugar foi o padre Dante Galeazzi, super divertido, responsável pelas visitas guiadas todos os domingos às 11h. Entradas a 20 pesos. Fica na rua Isabel La Católica 520, entre Brandsen e Aristóbulo del Valle, em frente à Praça Colombia.

Felicitas Guerrero

Felicitas

Vamos à história!

Diz a lenda que Felicitas Guerrero era uma das mulheres mais lindas da Argentina e que se casou em 1862, aos 16 anos, com Martín de Álzaga, um homem bem mais velho e, obviamente, riquíssimo – o casamento teria sido arranjado pelas famílias, sem seu consentimento.

Logo depois da boda, Felicitas Guerrero fica grávida, mas perde o filho em 1869 durante a epidemia de febre amarela. No mesmo ano, morre o marido e ela vira a viúva mais cobiçada da cidade, dona de uma gigante fortuna.

Entre seus muitos pretendentes estava Enrique Ocampo, a quem a garota nem dava bola. Isso porque já estava apaixonada pelo vizinho Samuel Sáenz Valiente, com quem queria se casar.

Não deu tempo! Doente de raiva e ciúmes, Ocampo mata Felicitas com um tiro nas costas e depois se suicida, no dia 30 de janeiro de 1872, durante uma festa. Há versões de que ele teria sido morto no ato por parentes da moça.

 

A família ergue então esta capela em sua homenagem, cuja construção foi concluída em 1879.

Os vizinhos dizem que a cada 30 de janeiro, dia de sua morte, Felicitas aparece na igreja, com seu torso ensanguentado, vagando até o amanhecer. Mas isso o padre não disse!

 A IMPORTÂNCIA DA IGREJA

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Foto: http://protegerbarracas.blogspot.com.ar/

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Vitrais foram totalmente restaurados

A igreja foi construída nos jardins onde na época era a propriedade da família (e hoje é uma praça). Ficou a cargo do arquiteto Ernesto Bunge, formado na Real Escola de Artes de Krefeld e na Real Academia de Arquitetura de Berlim, na Alemanha.

Seu estilo arquitetônico se inspira no ecleticismo alemão de meados do século XIX, com elementos românticos e renascentistas. É considerado o prédio de influência alemã mais importante da Argentina e o principal fora da Alemanha. Como todas as igrejas deste estilo foram bombardeadas durante a segunda Guerra, Santa Felicitas é a única sobrevivente no mundo!

O templo é uma só nave, dividida em quatro setores, decorados com imagens de estátuas dos Apóstolos, realizadas pelo escultor alemão Thor Waldeen, autor também da obra em zinco fundido, “Salvador del Mundo”, que está na fachada.

Os vitrais – lindos e restaurados – são de origem francesas e o piso de mosaicos espanhóis. Os lustres gigantes ainda conservam os tubos de gás. E o órgão alemão, de 783 tubos, foi fabricado em 1873 e funciona até hoje. A agenda de concertos está aqui.

Felicitas Guerrero

Detalhe do teto

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Detalhe lustre _ as duas fotos são do Facebook da igreja

 

Página da igreja no Facebook, que busca recursos para restauração da mesma. Tá mais caída do que mostram as imagens. Mas há lindas fotos por lá.

 

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