O chamamé como ponte entre duas culturas

Luiz Carlos Borges talvez seja o brasileiro com mais horas de voo na ponte Porto Alegre-Buenos Aires. 

acordeonista pisou pela primeira na Argentina aos 11 anos, num festival de chamamé em Santo Tomé, em Corrientes. Nunca mais parou de vir. São 51 anos de cruzar o Rio da Prata, sendo a última para nos presentear com um super show no Centro Cultural Kirchner, na sexta-feira (26 de junho), no qual ele mostrou toda a universalidade de sua música – indo do chamamé ao baião assim, num toque. Impressionte.  Tocou  acompanhado de outro talento,  Yuri Menezes, de São Luiz Gonzaga.

Com a generosidade que lhe é característica, Borges conversou com o Aquí me Quedo depois do show.

“A minha relação com o país é intensa desde que cheguei aqui pela primeira vez, seja através do chamamé, seja do folclore, e muitas, muitas vezes, por meio de uma pessoa que me estendeu a mão, Mercedes Sosa”

Os dois se conhecerem em 1984, em um estúdio argentino, quando Kleiton & Kledir gravavam com ela Semeadura. Depois, o músico foi encontrando outros amigos pelo caminho, como Raulito Barbosa, Tarragó Ros, Teresa Parodi, Liliana Herrero, Juan Falú, Chango Spasiuk  –  influências que a gente vê no palco. Alguns deles participaram como convidados na serie de shows que Borges fez no Torquato Tasso, em maio deste ano.

“Posso te dizer que hoje tenho uma relação madura com a Argentina, ao contrário do primeiros anos, que foi muito por insistência de cruzar o Rio. Antes, eu vinha. Hoje, me chamam. E se não chamam, eu venho igual”.

Uma das últimas parcerias de Borges com os “hermanos” foi no quinto do disco do artista cordobês  Juan Iñaki, com “Na Garupa do Baião”.

Como introdução ao músico, escutem a música Tropa de Osso, que ele considera um divisor de águas em sua carreira e, abaixo, essa preciosura que gravou com Mercedes Sosa.

 

Quando Borges fala do chamamé é que a gente vê a paixão e o orgulho que ele tem por este ritmo.

“Fui eu que popularizei o chamamé no Brasil, porque senão ele seria uma canção de fronteira. Se não fosse a insistência, a peleia, a briga, o chamamé não teria a popularidade que tem hoje no Brasil, especialmente no Sul. O chamamé era rechaçado nos festivais e inclusive chegou a ser proibido em alguns deles. Não é que o chamamé não fosse entendido por lá. Ele não era querido. Tinham ciúme do chamamé”

O chamamé é um estilo musical tradicional da província de Corrientes, na Argentina, mas apreciado também no Paraguai e no Brasil (especialmente no Rio Grande do Sul e Mato GRosso do Sul). Em pesquisas etimológicas, não existe a palavra chamamé. O mais próximo que etimólogos chegaram a concluir é que chamamé vem do guarani e quer dizer improvisação. LEIA MAIS

Borges começou na música muito cedo: aos 5 anos. Nascido na Vila Seca, 4º distrito do município de Santo Ângelo das Missões, no Brasil, Borges veio ao mundo numa família de músicos. O pai, Vergilino Borges, era trovador, tocava a gaita de oito baixos e os irmãos maiores de Luiz (Antonio, Ernando, Albino e Irenita), também cantavam e tocavam. Chegaram, inclusive, a manter um grupo familiar por duas décadas, chamado Irmãos Borges. Em 1979, começou carreira solo. São 32 discos gravados nestes 50 anos de carreira.

Mesmo agregando outras coisas do Brasil em sua música – como o forró, o baião e o chorinho – o chamamé segue muito presente em sua obra. “O chamamé é a música do futuro, é o próximo jazz”.

Abaixo, uma super entrevista de Borges para Lalo Mir, na qual que ele dá informações preciosas sobre sua vida e sobre o acordeón (que pesa 15 quilos!).

 

 

 

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