Born: o sucesso do livro sobre o sequestro mais caro da história

Born

Poderia ser ficção, mas não é!

O livro Born (Sudamericana), escrito pela jornalista María O’Donnell, está há dois meses no topo dos livros mais vendidos de não-ficção na Argentina, com mais de 120 mil exemplares comercializados.

A obra conta os bastidores do sequestro mais caro da história: 60 milhões de dólares na década de 70, o equivalente a 260 milhões atualmente – cifra que não foi superada no mundo até hoje.

Foram três meses de planejamento e uma operação – “batizada de Operación Mellizas” – que durou menos de dois minutos e terminou com o sequestro dos dois herdeiros de Bunge e Born, o principal grupo econômico da Argentina na época, no dia 19 de setembro de 1974.

É um “thriller” da realidade argentina, uma história que mescla dinheiro e política, mistérios e traições, e que chega até o presente momento, cheio de revelações de deixar a gente de queixo caído.

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Jorge, no cativeiro, com um dos sequestradores

A caixa-preta foi aberta por um dos sequestrados, Jorge Born, que deu detalhes do caso à jornalista pela primeira vez 40 anos depois de sua libertação, aos 81 anos.

Entre eles: como terminou sendo amigo e sócio de seu sequestrador, Rodolfo Galimberti e como o dinheiro da família serviu para financiar os Montoneros, o grupo armado peronista que protagonizou os 70 e foi aniquilado pela ditadura militar.

Mas tem mais. As razões pelas quais o pai se negava a pagar o resgate; como ele negociou (do cativeiro) a liberação do irmão, e depois a própria; qual foi o papel da revolução cubana no caso, e do banqueiro David Graiver no movimento dos fundos. Por fim, como esta história se relaciona com o indulto que Carlos Menem outorgou a Mario Firmenich por – precisamente- os sequestro dos irmãos Born.

[headline]Como foi a operação [/headline]

O sequestro foi espetacular. Em menos de dois minutos, 15 montoneros desviaram o tráfego da principal avenida de Buenos Aires, Libertador, simulando uma obra numa tubulação de gás. Com isso, eles conseguiram deter o carro (e matar os seguranças) no qual vinham Jorge e Juan Born, então com 39 e 40 anos. Eram os herdeiros do maior império argentino de exportação de grãos e indústrias químicas, têxteis e de alimentação. Ricos “de verdade”, com móveis desenhados por Salvador Dalí.

O pai, Jorge Born II, se negava a pagar o resgate de 100 milhões de dólares e sequer atendia o telefonemas dos sequestradores. Os irmãos ficaram nove meses no cativeiro. Jorge foi o cabeça na negociação. Conseguiu baixar o valor para 60 milhões de dólares, convencer o pai a pagá-lo e liberar o irmão aos seis meses, quando metade do valor foi entregue aos sequestradores. Ele ficou preso mais três meses e depois foi para o Brasil, onde viveu por 18 anos.

Gente, corram para ler este livro!

AQUI, uma ótima entrevista que María O’Donnell deu à Magdalena Ruiz Guiñazú.

 

 

 

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