O tango no Brasil, o tango do Brasil

foto eduardo baro

O III Congresso Brasileiro de Tango, que acontece de 6 a 11 de setembro, no Rio de Janeiro, mostra o crescimento da dança no Brasil.  São esperadas seis mil pessoas.

congresso brasileiro tango grupo

Aulão do ano passado. Foto: Baila Mundo

O tango e o samba, ritmos irmãos, dançam cada vez mais juntinhos. O II Congresso Brasileiro de Tango, realizado no ano passado, no Rio de Janeiro, surpreendeu muita gente: pelo número de participantes, nível dos dançarinos e professores, e organização.  Eu inclusive. Fui e amei.

O III Congresso Brasileiro de Tango, que começa na terça-feira que vem, dia 6 de outubro, chega para mostrar que o crescimento da dança no Brasil não para. “O ano passado giramos por dia entre aulas e milongas uma média 500 pessoas por dia. Este ano vamos dobrar. São esperadas seis mil pessoas, de todos os estados”, diz o organizador Fernando Decampos. A pedido dos bailarinos, o evento aumentou de três para seis dias.

O congresso deste ano também comemora conquistas, entre elas a participação recorde de brasileiros no Mundial de Tango de Buenos Aires e a chegada, pela primeira vez, de um casal de brasileiros,  Camila Delphim e Alam Blascovich, numa final na categoria cenário.  A cada ano, avançamos mais.

Se você não dança mas quer conferir o bailongo, dê uma espiada no milongão de encerramento, ao ar livre, em frente à praia de Copacabana.

Programação do III Congresso Brasileiro de Tango

O Congresso está dividido em aulas por níveis (Iniciantes, Intermediário I e II e Avançado), mesas-redondas, seminários especiais, feira de produtos e milongas, claro.

O corpo de professores está excelente, com mestres argentinos como Luciano Bastos (um monstro!) e Francico Forquera, os campeões de tango salão do mundial de 2015, Jonathan Saavedra e Clarisa Aragón, os campeões mundiais de tango cenário, Gaspar Godoy e Carla Mazzolini, e ainda a prata da casa, os brasileiros que estão levando adiante o tango no país.

Há palestras super interessantes sobre como musicaliza milongas, as diferentes orquestras, autonomia da dama no salão (epa, gostei), e a evolução do tango no Brasil.

Importante: gente, não tenham pressa, não pulem níveis! Se você é iniciante, não se inscreva na aula de intermédio II – é frustrante para você, que pode não conseguir acompanhar o grupo, e para os colegas que realmente estão neste nível, que terão de dar um passo atrás para que você os acompanhe.

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Programação completa AQUI.

Cidade do Tango

Este ano os organizadores batizaram o espaço do congresso de “Cidade do Tango“, porque diferente do ano passado, agora tudo acontece em um mesmo lugar, o maravilhoso Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, na Tijuca, menos as milongas. As cinco primeiras serão no Clube Militar Lagoa e o encerramento, domingo, em frente o mar.

tango no brasilDica de leitura: aproveitem o embale e leiam o ótimo “Donde estás, corazón? O tango no Brasil; o tango do Brasil” (de onde roubei o título do post), livro organizado por Heloísa Valente, com textos de  diversos autores. É uma preciosidade, tendo em vista a pouca bibliografia de tango em português.

Segundo os pesquisadores, no Brasil o tango portenho chega por volta da década de 1920, quando os ouvidos se abrem para o tango cantado e, sobretudo, para a voz de Carlos Gardel. O tango argentino passa a ser traduzido, adaptado, parodiado em nosso país, transplantando-se como tango nômade.

Além das versões originais e adaptadas, alguns compositores chegaram a compor vários “tangos argentinos”, que se notabilizaram na voz de Nelson Gonçalves: “Carlos Gardel”, “Hoje quem paga sou eu”, “Vermelho 27”, “Estrelas na lama”.

A publicação inclui texto inédito em português, de Ramón Pelinski, intitulado: “Tango: metáfora da globalização”.

Os espetáculos de tango que começavam a invadir o mundo eram, primordialmente, espetáculos de dança, convertendo o ritmo em uma espécie de balé de todos, no qual a beleza dos corpos e a ousadia dos movimentos constituem o centro das atenções. É justamente esse trânsito ininterrupto de transformações e versões territorializadas do gênero o objeto deste livro, dedicado ao estudo do tango presente no Brasil, quer por meio de suas criações originais por compositores e letristas do país, quer por meio das versões, traduções e adaptações dos tangos rio-platenses.

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