Gilda, não me arrependo deste amor

gilda filme

Filme sobre a cantora Gilda bate recordes de bilheteria na Argentina. Saiba quem foi este personagem da música “tropical”, morta em um acidente na estrada, no auge da carreira, em 1996.

Gilda inaugura no blog a seção Argentinos para Descobrir.

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Capa do disco na época

Alta, magérrima e com pouca “dianteira”, Myriam Alejandra Bianchi passava longe do estereótipo voluptuoso e sexy das cantoras de cumbia na Argentina dos anos 90. Mas teve uma carreira meteórica. Entre 1990 e 1996, pulou de professora de jardim de infância a cantora de massas – ganhadora de discos de ouro – e até, acreditam alguns, santa milagreira. Como foi esse caminho?

O jeito mais fácil de descobrir é escutando os hits De corazón a corazón, Corazón Valiente, No Me Arrepiento deste Amor, Fuiste. 

Aviso: são músicas que grudam. Você passa o dia com elas na cabeça.

Natália Oreiro como Gilga

Natália Oreiro como Gilda

 

 

Outra maneira de conhecê-la é esmiuçando na história por trás da história, o que muita gente tem feito duas décadas depois de sua trágica morte. Especialistas de diversas áreas – de críticos de cinema a psicólogos – dizem que entre os motivos do sucesso de Gilda está o fato de ela ter mostrado às mulheres “cumbieras” que elas tinham uma possibilidade de autonomia.

Gilda inicio de carreira

Foto: reprodução de Infobae – Alex Margullis

Gilda

Foto: reprodução de Infobae – Alex Margullis

A cantora – mulher de classe média com dois filhos – se separou do marido, desafiado aos mandatos sociais e, aos 30 anos, começou a cantar em ambientes como presídios e bailes de periferia e a escrever suas próprias músicas. Letras que diziam “Fuiste” a um namorado ou “Te cerraré la puerta para que aprendas” ao marido. Tudo muito pouco usual no ambiente da música tropical, essencialmente machista e onde todo mundo só queria dançar. Outro trunfo foi ter se juntado a uma banda peruana, justo quando a imigração daquele país crescia por aqui.

História

Myriam vinha de uma família tradicional de Devoto e desde pequena ajudava a mãe no jardim de infância. Aos 18 anos casou com Raúl Cagnín, empresário com quem teve os filhos Mariel e Fabrizio. Tinha aprendido a cantar e tocar violão com o pai, falecido em sua adolescência, e gostava de escutar Sui Generis e Charly Garcia. Mas a viola há muito estava num cantinho.

Uma manhã, lê em um aviso de classificados de jornal que pediam vocalistas para um grupo musical. Foi o começo de tudo: na audição conheceu Juan “Toti” Giménez, compositor e tecladista, que com o tempo se converteria em aliado musical, companheiro artístico e afetivo.

Os primeiros anos no mundo da cumbia forma em complicados, em especial por seu tipo físico. Suas companheiras de palco tinham nomes como “Gladys, la Bomba Tucumana”, e cumpriam o estereótipo masculino da época: eram loiras, peitudas, bundudas com calça de lycra. Gilda era uma tábua, doce, professora.

A mulher foi em frente e começou a emplacar sucessos, um atrás do outro.

Conquistou as canchas e os intelectuais, foi adotada por governos de diferentes alas políticas (dá um confere no bailinho de Mauricio Macri quando este assumiu a presidência), interpretada e versionada até pelos punks de Attaque 77.

Com “Corazón valiente“, disco de ouro na Argentina, se transformou em um fenômeno regional: seus discos se editam no México, Paraguay, Chile, Peru, Bolivia, Equador e Uruguai.

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Santuário onde aconteceu o acidente

Sua carreira foi fulminante e breve. Gilda morreu no auge, aos 34 anos, em um choque de frente com um caminhão brasileiro, quando iam para um show em Entre Rios – justo num 7 de setembro.

Faleceram sete pessoas: Gilda, sua filha Mariel, sua mãe, o motorista e três músicos da banda. O lugar virou uma espécie de santuário, visitado por fiéis que viajam ao lugar para pedir curas ou agradecer milagres já concedidos.

Saiba mais sobre Gilda

Gilda, no me arrepiento de este amor – Filme de Lorena Muñoz, estrelado por Natália Oreiro, estrondoso sucesso na Argentina.

Soy del Pueblo – Documentário do Canal Encuentro

Santa Gilda. Su vida, su muerte, sus milagros – Biografia escrita por Alejandro Margulis, editada por Planeta

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