O La Cumparsita faz 100 anos

Ele foi cantado até por Jonh Lennon, dançado por Valentino, Fred Astaire e Tom e Jerry, e fez “ponta” em filmes de Woody Allen, Orson Welles e Harry Potter. Dia 19 de abril, o tango La Cumparsita – o mais famoso do mundo – faz 100 anos. A celebrar!

 

O Uruguai está em festa! Em abril se celebra o centenário da estreia do tango  La Cumparsita pela orquestra de Roberto Firpo, na Confeitaria Giralda, em Montevidéu.

Quem estiver pela cidade vai poder visitar uma recriação do ambiente original do café, que não existe mais, e curtir um super “bailongo” ao ar livre: mais de 100 casais se preparam para dançar em frente ao Teatro Solís.

O tango La Cumparsita, composto pelo uruguaio Gerardo Matos Rodríguez, é considerado o  “hino” dos tangos, um dos mais difundidos no mundo, com mais de 2.500 gravações – inclusive em finlandês e japonês. Um mistério esse sucesso!

Foi gravado em diferentes estilos e por gente tão diversa como Julio Iglesias e Richard Clayderman. Há, inclusive, uma insólita versão de John Lennon, ao vivo, cantando La Cumparsita em uma gravação feita por Ringo, em 1967.

Agora, neste exato minuto, alguém pode estar escutando este tango, em algum lugar do planeta!

Antes de espiar as versões mais “estranhas”, comecem pela clássica, de Juan D’Arienzo, de 1948.

O La Cumparsita é também um dos tango mais polêmicos, envolto em brigas jurídicas por sua autoria e considerado por Astor Piazzolla o pior de todos os tangos, «…lo más espantosamente pobre del mundo...». Mesmo assim, ele o gravou quatro vezes!

Museu do Tango La Cumparsita

La Cumparsita Museu

O Museu do Tango La Cumparsita é um espaço privado, montado no térreo do Palácio Salvo, e inclui a recriação de parte da Confeitaria La Giralda, feita a partir de estudos das plantas arquitetônicas e fotos da época.

Entre os objetos em exposição estão um gramofone no qual se pode escutar a versão do tango cantada por Gardel, em 1924 (embora La Cumparsita seja mais conhecida pela versão instrumental), além da primeira edição do disco de Francisco Canaro, responsável por divulgar o La Cumparsita no Japão e França, entre outros objetos. É um museu pequeno, mas de alguma maneira simbólico.

La Cumparsita Museu

Também se pode ver fragmentos de filmes que usaram o tango como trilha sonora de alguma maneira: e foram mais de 350 !

Entre eles, em Crepúsculo dos Deuses (1950), com William Holden dançando com Gloria Swanson; em Marujos do Amor (1945), com Gene Kelly e ainda em Quando mais Quente Melhor (1959), com Jack Lemmon, Tony Curtis e Marilyn Monroe.

O tango aparece ainda em Alice e Dias de Rádio, de Woody Allen, em Tango, de Carlos Saura, é em Harry Potter e o prisionero de Azkaban, além de estar em um episódio de Tom e Jerry.  Isso sem falar em Guerra dos Mundos, de Orson Welles, no qual o diretor usa um fragmento do tango no momento exato da invasão extraterrestre em sua lendária transmissão radiofônica de Guerra dos Mundos. 

Curiosidade: na Turquia, a paixão por este tango é tão grande que ele substitui a Marcha Nupcial nos casamentos.Em Buenos Aires, desde a década de 40 o La Cumparsita este tango é usado nas milongas portenhas para anunciar o fim da festa. Ou seja: é sempre o último tango da noite.

Escute neste link, 17 versões diferentes de La Cumparista!

 A história do La Cumparsita

Mas qual a história por trás desta música que conseguiu conquistar tanta gente?

Para começar, é um tango uruguaio e não argentino! Aliás, desde 1998 é, por lei, o hino popular e cultural do Uruguai.

Os livros de história, e vários investigadores que se ocuparam em elucidar a origem deste clássico, coincidem em dizer que o tango que nasceu como marcha e que foi composto pelo estudante de arquitetura Gerardo Matos Rodríguez, em 1916, quando tinha 19 anos, para o bloco (chamado em espanhol de Comparsa) de carnaval da Federação de Estudantes do Uruguai.

Ao longo dos anos, ganhou quatro letras. Duas de índole carnavalesca, escritas por membros da comparsa e que nunca foram gravadas; uma de Matos Rodriguez (uruguaio) e outra de Pascual Contursi e Enrique Moroni (argentinos) – feita sem pedir licença ao autor original. A versão gravada por Gardel é esta última e a que ficou mais famosa, o que levou Matos Rodriguez a entrar com várias ações legais para impedir que o tango fosse cantado desta forma.

O assunto só se resolveu com a morte dos dois autores, em 1948, quando ficou decidido que 80% dos direitos autorais pertenciam à família do uruguaio e 20% aos argentinos.

La Cumparista, na verdade, é do mundo.

Outras informações: www.descubrimontevideo.uy e www.lacumparsita.com.uy

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