Marcha #niunamenos, femicídio, violência e a revista MU

A garota me pegou de surpresa: não quer golpear o macho violador?

Não tive nem tempo de pensar, quando vi estava com um pau na mão batendo num boneco de pano, numa espécie de catarse coletiva em meio à marcha contra o feminicídio, ontem, em Buenos Aires. Foi quando me dei conta que não, eu não queria bater no macho violador. Devolvi o pedaço de pau e saí pensando nesse ato contra a violencia, que é também violência. Não quero aderir. Melhor essa outra batida, como a senhora da foto abaixo. Na paz.

* Fotos Gisele Teixeira (menos a que abre o post, que é da agência TELAM)

#niunamenos

Violência gera violência

#niunamenos Gisele Teixeira

Se não há amor, que não haja nada então.

 

Foi uma marcha gigante, convocada em muito pelas redes sociais (com a hastag #niunamenos), depois de várias mortes de mulheres em decorrência da violência praticada pelos companheiros (ou ex), namorados ou familiares, violadores.

Não há dados oficiais, mas estima-se que a cada 31 horas morra uma mulher por femicídio no país. Não há dados oficiais, e este é um dos problemas.

Igual, não é coisa recente na Argentina. Em 2012, o ex-baterista do grupo argentino Callejeros, Eduardo Vásquez, foi condenado a 18 anos de prisão pela morte da companheira Wanda Taddei. Em fevereiro de 2010 ela teve 60% do corpo queimado com álcool e morreu após 11 dias de agonia, aos 29 anos, deixando dois filhos. O caso teve enorme repercussão. 

Abaixo, algumas das fotos que fiz hoje.

 

Estas marchas são sempre uma oportunidade de aprender várias coisas. Para os jornalistas, especialmente. 

Neste caso, é bom destacar que não está bem dizer violência de gênero. É preciso explicitar o gênero da violência, então dizemos femicídio. Pode parecer um capricho, mas não é.

A “Rede por uma comunicação Não Sexista” elaborou um manual com algumas recomendações. Entre elas não falar de crime passional – já que nenhuma paixão justifica a violência- e sim de femicídio.

Deixo o link para o artigo do

Deixo aqui o link para a revista MU – uma cooperativa de trabalho que, além desta publicação, toca também  a Agência de Notícia Lavaca.

Eles fizeram uma edição específica sobre este tema, muito interessante: traz a lista das mulheres mortas recentemente, com nome, idade e causa da morte. É chocante.

Asfixiada, degolada, estrangulada, queimada, baleada, eletrocutada, acorrentada, queimada.

Cliquem nas fotos para vê-las em tamanho grande. Aproveitem para pensar no assunto e deter qualquer tipo de violência – verbal, inclusive.

#niunamenos

Revista MU

 

*niunamenos

Causas das mortes

 

Aproveitem para espiar também a irreverente Barcelona.

barcelona

 

 

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