Marimba que me hiciste mal, y sin embargo te quiero

tango duo sanchez martinini foto gisele teixeira

Eles têm menos de 30 anos e passaram do heavy metal para o tango. Se isso não fosse estranho por si só, o Dúo Sanchez-Martinini debuta no 2×4 com dois instrumentos raríssimos: a marimba e o vibrafone.

tango duo Sachez-Martinini

 

Os músicos me recebem no espaço onde ensaiam. E com os dois instrumentos montados, garanto, não entra mais ninguém! Também pudera. O Sanchez-Martinini utiliza uma dupla, digamos, espaçosa: uma marimba e um vibrafone (vibráfono, em espanhol). Dois gigantes que, ao contrário do que se pode imaginar, produzem sons delicados.

Sons que agora pedem passagem no mundo do tango.

Se você não tem muito claro a diferença entre os dois instrumentos, não se preocupe. Quase ninguém tem.

Para começar são feitos de materiais diferentes. “A marimba é de madeira, tem cinco oitavas e produz um som mais grave”, explica Cesar Martinini. “O vibrafone é de alumínio, tem três oitavas e um som mais de metal”, completa Martín Sanchez. Ambos são tocados com duas baquetas, que agarradas formam uma V, revestidas na pompa com lã ou feltro e de diferente tamanhos.

 

tango duo Sachez-Martinini

E como esses meninos chegaram a estes instrumentos, tão pouco usuais e caros ? Um bom vibrafone – nacional – custa em torno de 35 mil pesos e a marimba parte de 60 mil pesos – dependendo do tamanho.

Cesar e Martin são filhos do rock and roll, do metal, mas descobriram suas paixões no conservatório, onde se conheceram, fizeram formação acadêmica, e foram “captados” por Marcos Cabezaz, um dos principais referentes de marimba na América Latina.

Para chegar ao tango foi um pulinho.

“Somos Argentinos, vivemos no Abasto, rodeados de tango. Mas a gente sempre tem a opção de deixá-lo entrar ou não, e de decidir como e quando. Uma vez que voce abre esta porta, não há outra alternativa a não ser entregar-se completamente”, diz Cesar.

Os pioneiros no tango

Eles contam que a utilização desses instrumentos no tango, especialmente o vibrafone, não é nova. “Escute a versão de El día que me Quieras, com Gardel. Bem no inicio tem um pimmmm, que quase não se nota. É um vibrafone”,  me mostra Martín.

Depois, a orquestra de Osvaldo Fresedo (que namorou muito com o jazz e chegou a gravar com Dizzy Gillespie) inovou ao introduzir a bateria, o vibráfono e a arpa. Nos tangos da orquestra de Florindo Sassone (prestem atenção a Bahia Blanca) também se escuta claramente o vibrafone.

Pesquisando na internet encontrei ainda um disco inteiro (The New tango), de Astor Piazzolla e Gary Burton, gravado em Montreux em 1986, todo com bandoneón e vibrafone.

Os desafios

Embora se escute aqui e ali algum som desses instrumentos, não se tem notícia de um duo tangueiro assim, com a marimba e o vibrafone tão protagonistas. E aqui começam as dificuldades.

“A principal delas é que nem sempre eles soam como tango. Um vacilo e a música fica parecendo ‘tango para bebês’ ou ‘caixinha de música’, o que obviamente a gente não quer”, diz Cesar. Para evitar essa possibilidade, foram buscar ajuda entre os tangueiros de lei. Tem funcionado. Confira abaixo.

Outro problema é a falta de arranjos. “Tivemos que começar a estudar também essa parte e pedimos ajuda a um grande mestre, Andres Linetzky, que os tem auxiliado nesse desafio. Hoje o repertório instrumental inclui Dandi, Los Mareados, Ayumanu (um tema de Linetzky), a valsa Lágrimas y Sonrisas e a milonga Del Tiempo Guapo. O próximo passo é encontrar uma voz que feche com o som que fazem e incluir tango cantados no repertório.

O dúo Sachez-Martinini funciona muito bem também fora do palco. Ambos músicos trabalham em orquestras juvenis, em projetos inclusives, dado aulas de percussão e linguagem.

E funciona, principalmente, “antes “do palco. Não dá para levar os instrumentos armados para nenhum lugar! Cada vez que eles tocam, é preciso desmontar tudo e montar de novo, um trabalho que leva pelo menos 20 minutos em condições normais de de temperatura e pressão – ou seja, se tudo sai bem – se estão em silêncio, com bastante espaço e trabalhando jutos. “Se desarmo sozinho a marimba levo pelo menos meia hora”, diz Cesar.

No final do processo, a marimba resulta em 10 (eu disse 10!) sacolas com peças. E o vibrafone em três.

O trabalho vale a pena. “Que soe tango já é lindo. Mas que vocês ainda dancem nas milongas, com o nosso som, pra gente tá sendo revolucionário”.

Nós é que estamos agradecidos, chicos.

tango duo sanchez martinini foto gisele teixeira

 

 

 

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