Estação de trens de Retiro faz barba, cabelo e bigode!

Ela tem o mesmo pedigree de estações famosas como Saint Pancreas, Charing Cross e Euston, em Londres, ou a Gare du Nord, de Paris, e Atocha, de Madri, com uma diferença: está aqui do nosso ladinho! Se você ainda não conhece a Estação de Trens de Retiro, e visite na próxima viagem! O espaço foi totalmente renovado e recuperou (parte, pelo menos) do esplendor que tinha na época da inauguração, em 1915. A construção foi declarada Patrimônio Histório Nacional em 1997.

Todas as fotos são de Andrés D’Elía, de Clarín, menos as fotos de época

Você provavelmente já tenha passado pela estação de trens de Retiro, rumo ao Tigre ou San Isidro, e seguro sequer reparado em sua beleza. Mas isso será impossível a partir de agora. Cem anos após sua inauguração, o centro de transbordo fez barba, cabelo e bigode.  Mais luz, novos bancos, wifi grátis e cafeterias.

O que a gente chama de Retiro é, na verdade, a estação Retiro da Linha de Trens Mitre, que tem diferentes ramais e recorridos e chega a diferentes estações da Grande Buenos Aires. Leia abaixo os detalhes da reforma.

Leia nosso post especial sobre o Tigre 

Estação de trens de Retiro: como foi a reforma

A obra de restauração foi dividida em três partes. A primeira foi a recuperação da fachada, com as cores e texturas originais, eliminando os grafitis e as machas de poluição. Foram restaurados os blocos de granito, o reboco, as peças de bronze e os farois. Depois, o acesso, o chamado “passeio das carruagens”, que fica antes do hall central e antigamente era utilizado pelos carros puxados a cavalo.

Estação Retiro fachada Clarin

A segunda parte foi a restauração dos tetos metálicos de onde saem os trens.

Por fim, o enorme hall central. Foram trocados os pisos que estavam estragados, arrumadas as janelas originais e a cúpula (que deu muito mais luz ao lugar). Os usuários ganharam novos bancos de espera, máquinas para carregar a SUBE, bilheteria e ainda Wi-Fi gratuito e pontos para carregar os celulares. Também foram reordenados os postos de comércios e quiosques. A estação ganhou lojas de cadeias internacionais de cafés,  o que causou certa polêmica. A verdade é que a maior cafeteria que havia antes em Retiro estava muito caída e sempre vazia. Enfim.

Estação Retiro hall Clarin

Estação Retiro hall Clarin

Estação Retiro hall Clarin

Estação de trens de Retiro: conheça sua história

Estação Retiro foto de arquivo

A construção de Retiro começou em 1908 e a obra terminou apenas em 1915. Todas as peças do edifício foram fabricadas no Reino Unido e a estrutura de metal seguia o padrão das grandes estações de passageiros do século XIX. O setor da frente tem janelas enormes e um grande hall, bem ao estilo francês. Na época da inauguração, o espaço tinha um restaurante com capacidade para 200 pessoas, salão de chá e confeitaria, barbearia e lugar para deixar bagagens. A administração ficava no segundo piso.

Estação Retiro foto de arquivo

Estação Retiro foto de arquivo

O segundo corpo, desenhado em torno da saída e entrada de trens, foi pensado com base aos critérios funcionalistas, com muito ferro e vidro, materiais típicos das edificações da Revolução Industrial. Duas grandes naves paralelas, de 250 metros de comprimento, fazem parte da área de embarque e desembarque. Na época, foi uma das maiores estrutura de ferro do mundo. As duas abóbadas desta parte exterior pesavam mais de 7.800 toneladas e foram fabricadas pela empresa inglesa Francis Morton & Co de Liverpool e transportadas de navio até Buenos Aires. Elas cobrem as cinco entradas de trens.

A estação reflete a riqueza desta parte da cidade, consolidada na segunda metade do século XIX, quando em torno da Praça San Martin foram construídas a residência Anchorena (Palácio San Martin), o Palácio Paz (Círculo Militar) e, mais tarde, na década de 1930, os edificios Kavanagh e Mihanovich.

Estação Retiro foto de arquivo

2 Comments

  • rodolfo disse:

    gisele, amo teu block.

  • João Carlos Queiroz disse:

    Que lindo encontrar esse post assim, de repente. Passo quase todos os dias pela estação e quase sempre, no meio da correria do dia-a-dia, olho para o teto e reflexiono o quanto essa estação é bela. Me parece realmente uma PENA que cadeias “internacionais” ocupem lugar na estação, porém isso também reflete o quão mal desenhados estão os típicos negócios porteños para uma época de ‘crise’ com seus preços altíssimos e logística devagar. Obrigado pelas fotos e dados históricos. Lindo post.

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